Odontologia em primeiro lugar!

Presidente da Avantis e CEO do Grupo Harmonique, que mantêm cursos de graduação e pós na Região Sul, Mohamad Hussein Abou Wadi defende o estímulo ao empreendedorismo do dentista e uma maior integração dos segmentos profissionais para “ditar tendências no mercado”.

“Quando olho para a marca FGM, a primeira coisa que lembro é qualidade, uma referência. Tiro o chapéu para o belíssimo trabalho que a FGM faz.”

Vai longe o tempo em que o paciente ia ao consultório de dentista apenas para reparar uma cárie ou tratar um canal. Hoje, sua grande expectativa é nada menos que o sorriso perfeito – e a boa notícia é que a evolução tecnológica permite que esse sonho se torne realidade, com o uso crescente de meios digitais para soluções terapêuticas avançadas, cada vez mais rápidas, mais acessíveis e minimamente invasivas. Expressões como robótica, tecnologia CAD/CAM e impressão 3D passam a fazer parte do repertório da odontologia, o que exige um perfil dinâmico e inovador, alinhado com tantas demandas das gerações atuais, para que o profissional se mantenha competitivo. Nesse contexto, vale anotar que a oferta de cursos de especialização em diferentes formatos, presenciais ou a distância, é tão vasta que só não se qualifica quem não quer. Um exemplo disso leva assinatura da própria FGM, que lançou o primeiro de curso do país em planejamento de implantes via plataforma digital, em convênio com o IBREP.

Em outra vertente, destaca-se na Região Sul o caso da Faculdade Avantis, de Balneário Camboriú, que mantém especializações muito procuradas em ramos como robótica e harmonização facial. Fundada em 2002, inicialmente com foco na graduação, a Avantis tem pouco mais de dez cursos, mas o carro-chefe é a odontologia. Há cerca de quatro anos, a instituição é dirigida pelo professor Mohamad, odontólogo com mestrado em Ortodontia e Ortopedia Facial.

Empreendedor por vocação

Mohamad é sócio de várias instituições de ensino espalhadas pelos três estados do Sul, comandando o Grupo Harmonique, que atua exclusivamente na área da saúde. Seus planos são ousados. Em três anos, espera chegar a seis mil alunos de odontologia, o que tornaria o grupo o número um do país, em escolas particulares, atuando nesse campo. Até 2024, a meta é somar dez mil estudantes – “aí, a gente vira o maior grupo mundial de odontologia na área privada”. Também administra o Instituto Odontológico das Américas (IOA), que lançou programa de imersão para dentistas em Miami. É sobre esses temas que Mohamad concedeu entrevista à Revista FGM News Implantes.

Sua trajetória profissional é voltada ao empreendedorismo. Essa é uma vocação que o dentista brasileiro precisa desenvolver?
Com certeza. Costumo ministrar palestras sobre empreendedorismo e gestão no Brasil todo, para públicos diversos. Antigamente, na área odontológica, a média era de um a dois eventos por ano. Hoje, são três por mês. Empreender é uma necessidade do mercado, só que os dentistas não sabem como fazer, e têm dificuldades até em questões triviais. Entendendo o quanto isso é importante, na Avantis, tomamos o cuidado de incluir nos currículos de graduação uma disciplina de gestão mercadológica e buscamos dar oportunidades no mercado logo que o estudante se forma.

Qual a principal inquietação que o senhor ouve nessas palestras?
Muitos se mostram perdidos e não sabem por onde começar, nem sequer para montar um consultório. Precisamos virar essa página, o dentista tem condições de ir longe, o universo da odontologia é
amplo. Se a classe estiver unida, pensando de maneira comum, poderá fazer qualquer coisa. Podemos ditar tendências no mercado da estética, no conjunto da obra. Afinal, somos mais de 300 mil
dentistas no Brasil, 12% ou 13% da população mundial desses profissionais. Outro ponto diz respeito à divulgação do trabalho. Existe um mercado significativo a desvendar, mas precisamos nos vender de forma diferente, tornar o cuidado com o dente e o sorriso “Quando olho para a marca FGM, a primeira coisa que lembro é qualidade, uma referência. Tiro o chapéu para o belíssimo trabalho que a FGM faz.” bonito uma questão de status. Marketing, quando bem feito, vende o que você quiser. Indústria, faculdades, entidades profissionais, os vários segmentos envolvidos precisam se unir para enfatizar a importância social da odontologia. No ranking das necessidades humanas, esta tem que vir em primeiro lugar.

Que leitura o senhor faz dos avanços da odontologia brasileira, comparando com o primeiro mundo?
Vai haver uma forte ruptura no mercado de trabalho. A indústria brasileira avançou demais. Na área educacional, o desafio é alcançá-la. Surgem aparelhos formidáveis, mas faltam pessoas preparadas para operá-los. Está havendo uma mudança de cultura, da analógica para a digital. O profissional 100% escultor, artista, que tinha que desenvolver habilidade manual gigantesca, passa para outro perfil, aprende a trabalhar com softwares e aplicativos, com programação. Para operar uma máquina de robótica, um CAD/CAM, uma impressora 3D, para saber os materiais que vai usar, tem que entender de software e tecnologia. Essa solução vai ser cada vez mais barata e se disseminar com tamanha rapidez que, se o dentista tradicional não entender que precisa migrar para o digital, no futuro não terá como competir. É como, na era do smartphone, querer vender celular sem internet. Hoje, a coisa mais cara que existe no mundo é o tempo, e a indústria trabalha focada nisso: quer que você entregue ao cliente a solução naquele minuto em que ele está no consultório, sem voltar muitas vezes. O sonho do paciente é ir para o dentista, resolver tudo naquele dia e ir embora. É a resolutividade que a indústria quer oferecer, por exemplo, com o implante ósseo integrado, no qual você pode aplicar a carga imediata, produzir a prótese e instalar na boca. Em algumas atividades, isso já chegou: diagnóstico, planejamento e execução viraram 100% digital. Aqui, vamos lançar o primeiro curso 100% digital do Brasil. Não teremos mais que trabalhar com modelo ou moldagem, coisas que contaminam, levam tempo, provocam distorção. Estou falando que você vai fazer um escaneamento imediato do preparo do dente, imediatamente vai produzir o elemento com infinidades de opções de resolução final, até com uma biblioteca anatômica dos dentes. Essa situação vem com força, em cursos que vão da harmonização facial, estética dental e facial, à odontologia digital e robótica, para preencher lacunas no mercado.

Então a indústria está adiantada?
Sim. E o mercado em si está aquecido para a estética, para o consumo, mas o dentista mantém a cultura voltada para a parte curativa, talvez sem perceber que isso pressupõe também a
autoconfiança do cliente, que vai buscar, cada vez mais, cuidados com a estética. Desvio de uma linha média, desgaste num dente, falta de coloração, o mundo da estética é tão perfeccionista que exige que você acompanhe em todos os níveis. Existe necessidade de “atualizar” o sorriso. A pessoa envelhece, mesmo que não tenha doença; cai o lábio superior, o sorriso desgasta etc. A estética veio para ficar, ninguém mais do que o dentista entende dessa parte, ele tem uma bagagem muito grande. E a harmonização facial é um mercado nobre, uma entrega que podemos fazer com excelência e a preços adequados. Tem gente apaixonada por esse setor, que está crescendo muito, e cursos de excelência na área. As primeiras especializações de odontologia robótica e de estética orofacial do país foram lançadas pela Avantis.

E da parte do profissional, faltaria então uma visão voltada a esses novos mercados e demandas do paciente?
De fato, é difícil se ter uma visão mercadológica na área da saúde. Mas a ruptura precisa ser feita, para que o dentista trabalhe focado no mercado. Não apenas fazendo tratamento de canal ou cirurgia de necessidades patológicas, mas entendendo que as pessoas têm novos desejos que precisam ser contemplados. O mercado está pujante, é só o dentista abraçar.

Existem esforços para preencher esse gap?
Sim, e a Avantis lidera algumas novas especialidades que lançou no mercado, como robótica e harmonização facial – mas tem que se mudar toda uma cultura, se não, daqui a pouco, o dentista não vai se conectar com a tecnologia. A solução digital é mais rápida, perfeita e barata, otimizando processos. No entanto, poucas instituições estão atentas a essa ruptura. O papel de ensinar o dentista a usar as novas tecnologias cabe à faculdade. Quando lançamos os cursos de robótica e harmonização, procuramos atender a uma demanda do mercado bastante expressiva, há uma lacuna evidente por formação.

Falando em formação e excelência profissional, como funciona este instituto que a Avantis. mantém nos Estados Unidos?
É um instituto de pós-graduação, situado em Miami. Oferecemos vários cursos para o dentista que já é especialista e busca uma imersão. Duram de três dias a uma semana, partindo de um nível mais leve, somente teórico, ou médio, teórico e prático, e também mais avançado – teórico, prático laboratorial e prático em cadáver fresco. Ao mesmo tempo, o programa inclui a vivência de visitar clínicas norte-americanas de propriedade de brasileiros. Um pacote completo. Os professores vêm do mundo inteiro, buscamos convidar alguns dos melhores em cada área, como endodontia, harmonização facial, implante e ortodontia. Os cursos são em inglês, com tradução simultânea, e o participante recebe certificado internacional com selo da associação norte-americana de odontologia. O programa é voltado a profissionais de toda a América Latina e a média vai de 30 a 50 participantes, dependendo da área. Os cursos são muito procurados.

Que tipo de conhecimento esses profissionais vão buscar lá?
A riqueza é enorme, a começar pelo fato de ser um grupo seleto, ou seja, o próprio networking é nivelado por cima. Eles terão uma ideia de uma indústria de ponta, o suprassumo do mercado, além da vivência na cidade de Miami, onde se respira comércio. Os cursos são mais avançados, trazem uma visão do que o mundo pensa a respeito do que está sendo tratado. E o profissional volta com certificado americano, o que sempre chama atenção do cliente. Em setembro, a turma teve, pela primeira vez, aula de ortodontia digital, escaneamento da boca, fabricação na hora de moldeiras com correção ortodôntica. Visitamos o CAD/CAM Center. A ideia é que retornem ao Brasil com outra cabeça. Até porque são pessoas que já têm visão diferenciada por estar indo, são líderes de mercado nas suas regiões. Montamos o instituto há dois anos. Em 2018, já temos seis cursos programados.

O senhor evidenciou os avanços da indústria brasileira no setor odontológico. Como vai funcionar a parceria que está sendo firmada entre a Avantis e a FGM?
Estou muito satisfeito com essa parceria. Foi uma honra e uma realização. Procuro aliar nossa marca – que é tão bem trabalhada e pretendo tornar uma grife educacional – a empresas que pensam como nós. Espero que seja uma parceria longa e salutar. Quando olho para a marca FGM, a primeira coisa que lembro é qualidade, uma referência. Tiro o chapéu para o belíssimo trabalho que a FGM faz. Vamos tentar inserir os produtos no dia a dia das clínicas e avaliar as necessidades para a melhor utilização possível dessa parceria.

pablo.macedo

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