Diferentes abordagens na provisionalização de coroas implantossuportadas em área estética

Autor: Prof. Msc. João Moretti

 

Resumo

A execução de um provisório adequado, que atenda ao anseio do paciente tanto na estética quanto na funcionalidade em implantes imediatos, é fundamental, pois estes provisórios proporcionam condicionamento gengival para receber a coroa definitiva, obtendo formato natural do perfil de emergência. No presente caso clínico, foi relatado o restabelecimento estético com implantes Arcys e provisórios imediatos, após a exodontia de dois elementos dentais anteriores decíduos, sem possibilidade de manutenção dos mesmos, tendo também o intuito de manter a arquitetura óssea e gengival.

Palavras-chave: Implantes dentários, carga imediata, provisionalização imediata, agenesia dental, perfil de emergência.

 

Introdução

A agenesia dentária é a forma mais comum de anomalia dentária, atingido cerca de 20% da população. Sua etiologia está relacionada a fatores nutricionais, traumáticos, infecciosos ou hereditários, outros fatores como, patologias virais e problemas endócrinos ainda podem estar envolvidos (Moreschi et al 2010). Os dentes mais afetados são os segundos pré-molares inferiores seguidos pelos incisivos laterais superiores (Ribeiro et.al., 2011).

A instalação de implantes seguida da confecção de coroas provisórias imediatas garante, além dos benefícios psicológicos na perspectiva do paciente, um menor tempo de tratamento e menor número de cirurgias, com consequente redução no custo do tratamento, além da preservação do tecido mole e da arquitetura óssea (Misch 2007).

O presente relato de caso, visa demonstrar diferentes opções que o sistema Arcsys possibilita, para a confecção de provisórios imediatos. Os dentes definitivos foram devidamente confeccionados em cerâmica após três meses de osseintegração.

 

Relato do Caso

Paciente do sexo feminino, leucodermo, 20 anos com presença de dentes decíduos anteriores maxilares (Figura 1, 2, 3 e 4).

Figura 1: Foto frontal intraoral da paciente.

Figura 2: Sextante anterior, visto em detalhe.

Figura 3: Vista aproximada do elemento decíduo 52.

Figura 4: Vista aproximada do elemento 63.

Radiograficamente nota-se, que a preservação dos dentes decíduos estava comprometida (Figura 5).

Figura 5: Radiografia panorâmica, revelando a ausência das porções médias e apicais das raízes dos elementos 52 e 63.

Após a sindesmotomia, foi realizada a exodontia suficientemente invasiva, visando à manutenção de integridade da arquitetura óssea e gengival da área a ser reabilitada com o implante. Sendo assim, optou-se por realizar a cirurgia de implante imediato com carga imediata.

O sítio para a instalação do implante foi preparado a partir da utilização de uma única broca de 2,4 mm de diâmetro. Foi introduzida 13 mm, tendo como referência a margem gengival vestibular. Optou-se pela colocação de um implante de 3,3 mm de diâmetro por 11 mm de, que obteve uma estabilidade primária de 45N (Figuras 6, 7 e 8).

Figura 6: Fresagem única com a broca 2.4mm.

Figura 7: Instalação do implante após fresagem única.

Figura 8: Mensuração da estabilidade final de inserção na região do elemento 12.

Para essa região, foi escolhido um munhão angulável (altura de transmucoso de 2,5mm), que recebeu a personalização de sua angulação em 8,5° através do dipositivo angulador e foi acionado no implante, com aspiração prévia de seu interior, com a utilização do martelete (Figuras 9 e 10).

Figura 9: Posicionamento do munhão 3x4mm e avaliação dos espaços protéticos.

Figura 10: Fixação do munhão 3×4 com o martelete.

Já para a região do canino, instalou-se um implante de 3.8x11mm, com 60N de força. Optou-se pela utilização do cicatrizador multifuncional do tipo PEEK, o qual recebeu preparo prévio antes da união do dente de estoque com resina acrílica e acabamento, conferindo um perfil de emergência favorável à cicatrização (Figuras 11, 12, 13, 14, 15, 16 e 17).

Figura 11:  Situação óssea após a remoção do elemento decíduo.

Figura 12: Instalação do implante de conexão friccional, 3.8×11.

Figura 13: Mensuração da estabilidade final de inserção do implante.

Figura 14: Cicatrizador multifuncional em PEEK.

Figura 15: Posicionamento do cicatrizador.

Figura 16: Dente provisório adaptado ao PEEK obedecendo o perfil emergencial.

Figura 17: Provisório instalado.

A paciente foi liberada após receber a prescrição de antibiótico, anti-inflamatório e analgésico, além das recomendações pós-operatórias. Com uma semana pós-operatória, os pontos foram removidos, juntamente com a resina nas paredes interproximais, deixando o provisório individualizado. Recebeu acompanhamento com 1 semana, 3 semanas e 90 dias (figuras 18, 19 e 20).

Figura 18: Cicatrização da região do lateral com 1 semana.

Figura 19: cicatrização da região do canino com 1 semana.

Figura 20: Conformação gengival obtida.

Após 3 meses de cicatrização, foi instalado um pilar na região de canino e seguiu-se a moldagem de transferência, prova do coping metálico, moldagem de transferência do mesmo, aplicação da cerâmica e glaze, de acordo com a cor selecionada (figuras 21 e 22).

Figura 21: Transferentes para moldagem em posição.

Figura 22: Posicionamento dos análogos.

O munhão da região do lateral recebeu previamente, aplicação de Primer para metal, a cimentação da coroa foi realizada com cimento resinoso dual (Figuras 23 e 24).

Figura 23: Aplicação de Primer para metal no munhão para cimentação.

Figura 24: Cimentação da coroa.

A coroa na região do canino foi aparafusada, e após a proteção da cabeça do parafuso, a coroa recebeu uma restauração com resina composta (Opallis da FGM) (Figura 25).

Figura 25: Aspecto logo pós a instalação das coroas de cerâmica.

 A paciente recebeu acompanhamento após seis meses de finalização, e os tecidos peri-implantares têm se mantido estáveis desde o procedimento cirúrgico (Figura 26).

Figura 26: Acompanhamento de 6 meses.

 

Discussão

A implantação imediata tem como vantagem alcançar resultados melhores, mais rápidos e funcionais em uma estratégia de tratamento previsível com uma elevada taxa de sucesso. Tais implantes possibilitam a redução do número de tratamentos cirúrgicos, redução do tempo entre a extração do dente e restauração definitiva da prótese, a prevenção da reabsorção óssea, e preservação do rebordo alveolar em termos de altura e largura (COVANI et al, 2004).

A instalação dos implantes imediatos tipo 1 (no ato da exodontia), apesar de tecnicamente mais difícil, podem apresentar uma série de vantagens em relação à preservação tecidual. Dependendo da arquitetura alveolar e da presença do alvéolo em condições favoráveis, pode ser possível alcançar uma estabilidade primária ótima que possibilite a reabilitação protética imediata. Devolvendo, prontamente, a aparência do paciente (HAMMERLE. et al., 2004).

A instalação de componentes protéticos imediatos juntamente com cirurgias plásticas peri-implantares, eliminando uma segunda etapa cirúrgica, visa reduzir o tempo de tratamento, prevenir recessões gengivais e minimizar a perda do remanescente ósseo, favorecendo a acomodação tecidual em torno do componente2. Neste aspecto, o desenvolvimento de materiais novos e biocompatíveis, auxiliam o reabilitador a alcançar um contorno gengival harmônico (JAMBHEKAR et al., 2015).

A exodontia combinada com a instalação do implante e da coroa provisória apresenta vantagens estéticas, psicológicas e funcionais, bem como minimiza o tempo de tratamento. A cicatrização dos tecidos moles ocorre concomitantemente à osseointegração, promovendo a estabilidade do nível gengival.

 

Considerações Finais

 

Para resultados ideais em casos com a instalação imediata, o cirurgião deve estar atento a estabilidade primária e limpeza efetiva do sítio contaminado. Quando da possiblidade de se utilizar componentes personalizáveis, a viabilidade protética é evidente, favorecendo os cuidados cirúrgicos tomados com os tecidos circunvizinhos, juntamente com a emergência mais natural da prótese. Atualmente, a estética determina o sucesso de reabilitações com implantes dentários, especialmente na região anterior da maxila.

 

Bibliografia

  1. Covani U, Barone A, Cornelini R, Crespi R. Soft tissue healing around implants placed immediately after tooth extraction without incision: A clinical report. Int J Oral Maxillofac implants ; v.19: p.549-53, 2004.
  2. Hammerle CH, Chen ST, Wilson TG Jr. Consensus statements and recommended clinical procedures regarding the placement of implants in extraction sockets. Int J Oral Maxillofac Implants.; v.19 Suppl:26-8, 2004.
  3. Jambhekar S, Kemen F, Brida AS. Clinical and histologic outcomes of socket grafting after flapless tooth extraction: a systematic review of randomized controlled clinical trials. J Prosthet Dent. 2015 May; 113(5):371-82.
  4. Misch CE. Prótese Sobre Implantes. São Paulo, ed. Santos, 2007.
  5. Moreschi E. et al. Estudo da Prevalência da agenesia dentária nos pacientes atendidos na Clínica Odontológica do Centro Universitário Maringá. Revista Saúde e Pesquisa. 2010; 3(2): 201-04.
  6. Ribeiro LNS. et al. Aspectos clínicos e moleculares da agenesia dentária congênita. Revista de Odontologia da Universidade Cidade de São Paulo. 2011; 23(2): 96-106.

pablo.macedo

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