A Estética do sorriso

Autor: Prof. Dr. Bernardo Born Passoni.

Na implantodontia contemporânea, muito tem se discutido sobre a estética rosa peri-implantar. Apesar de a estética branca (prótese definitiva) ter grande importância no resultado final da reabilitação, a área de transição entre o implante e/ou componente protético e a mucosa peri-implantar tornou-se a grande vilã dos insucessos no dia a dia clínico. A perda das papilas e o contorno harmônico da mucosa peri-implantar são alguns dos dilemas mais desafiadores na implantodontia. Portanto, o que se busca atualmente é o alcance da tríade saúde, função e estética.

A reabsorção do rebordo alveolar se inicia após a extração do elemento dental1. Estima-se que 2/3 dessa perda ocorra nos três primeiros meses de cicatrização do alvéolar2, e que, após seis meses, 40% da altura e 60% da largura do rebordo sejam perdidas no processo de remodelação3. Alguns fatores são imprescindíveis para a manutenção da integridade marginal, como, por exemplo, a altura da crista óssea alveolar, que é classicamente reconhecida como a base de suporte funcional e morfológica do tecido gengival4. Além disso, a distância entre o ponto de contato e a crista óssea é outro fator fundamental para presença de papila, assim como o biótipo gengival do paciente.

Considerando os tipos de implantes presentes no mercado, os de interface Cone Morse são claramente os mais vantajosos. Diversos artigos científicos mostram maior manutenção da crista óssea alveolar quando comparado aos de conexões hexagonais. Isso porque, em implantes hexagonais, a formação das distâncias biológicas acontece da plataforma do implante em direção apical. Já nos implantes Cone Morse, tal formação de distância biológica se dará ao redor do componente protético, o que, consequentemente, possibilitará a manutenção das cristas ósseas, visto que não ocorrerá a “famosa” saucerização inerente ao processo cicatricial em implantes hexagonais. Com isso, hoje conseguimos aproximar mais dentes e implantes ou implantes a outros implantes sem medo de haver tal perda óssea e perda de papila.

No entanto, há de se destacar que existem dois tipos de Cone Morse: o Cone Morse friccional (verdadeiro) e a conexão cônica interna com parafuso. O Sistema Arcsys, da FGM, é o único friccional no mercado nacional. Enquanto no Cone Morse friccional a angulação total das paredes é de 3°, no Cone Morse convencional esse ângulo pode chegar até 11,5°, o que, por ser mais “expulsivo”, demonstra que o torque do componente protético é dado pelo parafuso, e não pela fricção da conexão Morse (Figura 1). Em contrapartida, o Cone Morse friccional Arcsys promove a fixação do pilar sem a necessidade de parafuso. Portanto, não sofre fadiga ou soltura igual aos sistemas aparafusados convencionais, provendo mais segurança ao cirurgião-dentista e ao paciente.

Figura 1. Comparação do cone morse convencional e cone morse friccional.

Além disso, a indicação de instalação 2mm infraóssea em sistemas Cone Morse se torna uma vantagem principalmente em áreas estéticas, onde precisamos esconder totalmente qualquer linha de transição entre prósese/componente/implante. A instalação mais profunda, quando comparada a implantes hexagonais, permite uma melhor adaptação das distâncias biológicas ao redor do componente e a confecção de um correto perfil de emergência, seja no provisório ou na prótese definitiva.

Figura 2. Provisórias.
Figura 3. Definitiva.

Ainda, outro quesito a ser considerado em regiões estéticas é a realização de implante imediato com carga imediata. A realização da carga imediata, quando bem indicada, e o preenchimento do gap ajudarão a manter a arquitetura gengival preexistente. O implante Arcsys, da FGM, é uma excelente escolha para tais casos, visto que é um implante cilíndrico com ápice cônico e possui roscas trapezoidais. Esse formato de rosca promove alta estabilidade primária, já que, por ser trapezoidal, no momento da instalação do implante haverá uma compactação lateral e vertical do osso alveolar.

 

Referências bibliográficas

Atwood D. Postextraction changes in the adult mandible as illustrated by microradiografhs of midsagittal section and serial cefalometric roentgenograms. J Prosthet Dent 1963;13:810-6. | Schropp L, Wenzel A, Kostopoulos L, Karring T. Bone healing and soft tissue contour changes following single¬tooth extraction: a clinical and radiograhic 12¬month prospective study. Int J Periodontics Restorative Dent 2003;23:313¬23. | Lekovic V, Camargo PM, Klokkevold PR, Weinlaender M, Kenney EB, Dimitrijevic B, et al. Preservation of alveolar bone in extraction sockets using bioresorbable membranes. J Periodontal 1998;69:1044-9. | Becker W. et al., Alveolar bone anatomic profiles as measured from dry skulls. Clinical ramifications. J clinical Periodontol. 1997,  24: 727-731.

pablo.macedo

Adicionar comentário