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Respiração e o desenvolvimento da face

Respirar pela boca pode causar anomalias dentofaciais, distúrbios do sono e influir, significativamente, sobre outras questões de saúde geral.
Inspirar pelo nariz e expirar pela boca. Esta é a regra básica da respiração correta – o ar deve entrar pelas narinas, onde será filtrado, umidificado, aquecido e pressurizado e sair pela boca. Este ciclo garante a oxigenação adequada do organismo e o desenvolvimento saudável do rosto e das estruturas bucais durante o período de crescimento das crianças. “Quando a respiração é bucal, o oxigênio não consegue chegar aos pulmões nas condições ideais para ser utilizado e sua qualidade é ruim”, explica Gerson I. Köhler, ortopedista facial e ortodontista.
Respirar é um ato involuntário, inconsciente e obrigatório, que ocorre a partir de um comando cerebral. Além de suprir a necessidade de oxigênio do organismo, a respiração é responsável pela eliminação do gás carbônico, produto da queima dos combustíveis necessários para o funcionamento das células. “Se houver alguma interrupção no trajeto natural do ar, como em casos de rinite, resfriados e obstruções nasais, o indivíduo tende a respirar pela boca, um hábito prejudicial à saúde”, alerta o especialista, membro da Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial (ABOR).
Nilse Waltrick Köhler, fonoaudióloga e especialista em Distúrbios Miofuncionais e em Motricidade Orofacial, aponta que a entrada e saída contínua de ar pela boca altera a anatomia da boca em função do desequilíbrio muscular que cria. O ‘céu da boca’, chamado de palato, torna-se mais profundo, a língua fica relaxada e se retrai, os lábios ficam moles e a parte superior diminui. “A arcada óssea superior se projeta para frente e a inferior se retrai, modificando o posicionamento dos dentes. Para que o ar entre com mais facilidade, a cabeça muda a sua posição e provoca problemas de postura no crânio, pescoço e tórax”, ressalta.
Outros malefícios da respiração bucal são anomalias dentofaciais, alterações no crescimento dos ossos da face, desequilíbrios na musculatura facial, distúrbios do sono, aumento da pressão arterial, doenças cardiovasculares, redução do hormônio do crescimento, cefaléias, zumbido e obesidade. “Quando a respiração incorreta tem início na infância, há prejuízos no desenvolvimento do rosto e atrasos no crescimento pôndero-estatural, ou seja, há diferenças entre a altura e peso da criança em relação a sua idade cronológica”, esclarece Nilse.
Sinais podem indicar respiração incorreta na infância
Cansaço, sonolência diurna, falta de atenção, déficit de aprendizado, alterações do estado nutricional do corpo e do crescimento normal do rosto são sintomas comuns em crianças que respiram pela boca. A saúde em geral é afetada. O rendimento físico cai e são observadas deficiências funcionais na face. “O problema ainda causa danos à parte estética e de beleza da face, já que as consequências da respiração bucal são visíveis no rosto e perduram por toda a vida se não houver o diagnóstico e tratamento adequado. A intervenção precoce é fundamental”, destaca Gerson.
Juarez F. W. Köhler, especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial, evidencia que o tratamento deve ser interdisciplinar, com a participação de médicos pediatra e otorrinolaringologista, ortodontista pediátrico e fonoaudiólogo. “Cada órgão tem a sua função específica. A boca é o início do sistema digestivo e não do sistema respiratório, por isso ela foi feita para comer e não para respirar. Os pais devem ficar atentos à forma como seus filhos respiram para evitar deformações no rosto e demais malefícios”, observa.
O tratamento precoce pode garantir a normalização do desenvolvimento facial e evitar as consequências da respiração bucal para o organismo. A partir dos cinco anos – ou antes mesmo, se necessário – já é possível dar início a intervenção terapêutica. “Exames por imagem, ressonância nuclear magnética, tomografias tridimensionais, imagens radiográficas craniofaciais e a cefalometria são avaliações usadas no diagnóstico. A escolha das estratégias de tratamento depende do quadro clínico do paciente, da gravidade e da causa do problema”, acrescenta Juarez, membro especialista da ABOR, filiada a World Federation of Orthodontists (WFO – USA).
Publicado por FGM Interativa

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