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Periodontia e sua influência nos aspectos da saúde sistêmica.

Doença periodontal é agravante para doenças sistêmicas

O tratamento da periodontite é fundamental para diminuir riscos de infarto, complicações no pulmão e diabetes, além de diminuir riscos de prematuridade.

Cirurgiões-dentistas, principais responsáveis pelo cuidado com a cavidade bucal, devem estar inteirados quanto a assuntos da infectologia para evitar que quadros sistêmicos se desencadeiem ou agravem. Neste contexto está a relevância do tratamento das doenças periodontais, fontes de bactérias.

O cuidado com pacientes tratados pela periodontia que apresentam casos de doença cardiovascular, pulmonar ou diabetes deverá ser redobrado, assim como em quadros gestacionais. Estudos recentes comprovam a ligação da periodontite com casos de prematuridade e bebês de baixo peso, ocasionados pela presença de infecção. “Manipular a bolsa periodontal é mexer com foco de infecção com microrganismos de potencial patogênico muito grande, capaz de destruir todo o osso do periodonto”, diz Dr. Wilson Sallum, professor titular de Periodontia da Faculdade de Odontologia da Unicamp.

O princípio básico da doença cardiovascular é semelhante ao da doença periodontal, que é infecciosa e vascular. Apesar da periodontite não ser considerada uma causa para problemas no coração, poderá contribuir para complicações. Segundo Dr. Sallum, os riscos de infarto aumentam nestes quadros. Toda doença que interfere nos vasos sanguíneos certamente terá influência cardiovascular.

No caso de doença pulmonar, é extremamente importante que os pacientes mantenham a higiene da boca. Tratar a periodontite será fundamental para não agravar os quadros clínicos, já que a boca é um canal de respiração que poderá levar as bactérias até o pulmão. “Uma boca mal cuidada vai gerar grandes riscos de problemas pulmonares, e esta é mais uma amostra de que higiene bucal é prevenção”, comenta o Dr. Sallum.

Já nos casos de diabetes, a relação com a periodontite é bidirecional. Uma poderá agravar a outra. O trabalho do CD deverá ser ainda mais minucioso, incluindo análise de exames realizados recentemente e testes para acompanhamento rígido dos níveis glicêmicos. O contato direto com o médico responsável pelo tratamento da diabetes será diferencial.

Em todos estes casos, o periodontista precisará fazer bom uso da anamnese para colher informações quanto à saúde sistêmica do paciente e identificar o máximo de riscos possíveis durante o tratamento. “Nos quadros de diabetes, por exemplo, dentre cada 10 pacientes que nos dizem estar com a doença controlada, sete não estão de fato”, conta Dr. Sallum.

As chances de parto pré-termo podem aumentar em 10% em mulheres com periodontite

Periodontite e partos prematuros – Sabe-se que a prematuridade tem origem multifatorial e entre os fatores de risco estão quadros de infecção. Segundo a Organização Mundial da Saúde, esta é considerada a segunda maior causa de morte de crianças com menos de cinco anos. São 15 milhões de bebês que nascem antes do tempo por ano no mundo inteiro e mais de um milhão deles morrem dias após o parto. Sendo que, no Brasil, são mais de 270 mil prematuros por ano, ou seja, 9,2% dos nascimentos registrados no país.

O parto pré-termo pode acarretar sérios problemas à saúde da criança, que terá mais chances de atraso no desenvolvimento (incluindo o neurológico), contaminação por doenças infecciosas, complicações respiratórias, doenças cardíacas e até mesmo morte durante a infância.

A periodontite, sendo infectocontagiosa, se classifica como um dos fatores de risco para o parto prematuro. Apesar dos estudos serem relativamente recentes, sabe-se que as chances aumentam em 10% em gestantes com a doença. E, durante a gestação, as mulheres ficam mais propensas a desenvolverem doenças periodontais. “Os hormônios da gestação aumentam as chances de desenvolver gengivite e periodontite devido ao aumento da permeabilidade vascular e possível edema tecidual”, explica o Dr. Saulo Duarte Passos, professor titular de Pediatria da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), com atuação na área de infectologia pediátrica e materno-infantil.

O Dr. Wilson Sallum explica que a periodontite poderá contribuir para que o parto aconteça antes do tempo ideal porque a bolsa periodontal libera a mesma ocitocina que atua no trabalho de parto em período normal (de 37 a 40 semanas). “O acompanhamento odontológico deverá ser mensal para controle químico mecânico do biofilme dental, pois a boa saúde bucal da gestante irá contribuir para que os eventos da gravidez se deem de forma natural.”

O tratamento não deve ser interrompido durante a gestação, contudo é recomendado que o dentista esteja em contato direto com o médico da paciente, principalmente nos três primeiros meses de gestação. Quando houver histórico de aborto espontâneo ou problemas hemorrágicos, a atenção deverá ser ainda maior. “Quanto mais severa for a doença periodontal, maior será o risco de prematuridade e também de um bebê com baixo peso, ainda que o parto aconteça no tempo correto”, afirma o Dr. Passos.

Fonte: Jornal da ABO 2015 (Edição 154 | Agosto/Setembro/Outubro 2015)

Publicado por Pablo Henrique Asenjo de Macedo

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