Resinas Bulk Fill mais segurança e agilidade para procedimentos em grandes incrementos.

Autor: Rodrigo Sant’Anna Reis

Mestre em Odontologia Restauradora e Mestre em Biomateriais – University of Michigan e Doutor em Odontologia – UFRJ.

 

Em função da demanda por mais eficácia e praticidade clínica em restaurações de dentes posteriores, a utilização de resinas restauradoras tipo bulk filling vem ganhando a preferência até mesmo dos profissionais mais conservadores em todo o mundo.

O tradicional amálgama, no passado amplamente utilizado devido a sua alta resistência e baixo custo, encontra hoje, em sua limitação estética a principal justificativa para baixa procura, uma vez que os compósitos mais modernos conseguem atender demandas funcionais e requisitos estéticos.

Por outro lado, as resinas tradicionais para dentes posteriores, quando comparadas às restaurações em amálgama, demandam maior tempo clínico, possuem custo elevado e não são tão efetivas.

Dentre as principais justificativas para a baixa eficiência da primeira versão de resinas restauradoras está a alta tensão gerada pela contração de polimerização, que compromete a interface adesiva gerando a micro infiltração podendo pigmentar as margens e tornando-se fator de risco para lesões de cárie recorrentes. Além disso, o alto estresse de polimerização pode ocasionar também, dor e desconforto ao paciente quando este expõe o dente restaurado à mastigação de alimentos muito consistentes.

Com o objetivo de sanar estas limitações foi desenvolvida a técnica incremental, que como o próprio nome sugere, permite realizar incrementos com até 2 mm, evitando que se una mais de duas paredes, reduzindo assim, os efeitos deletérios do estresse gerados pela polimerização, porém exigindo ainda um tempo clínico elevado para a confecção da restauração.

Outra opção é a técnica do sanduíche (base de ionômero de vidro abaixo das camadas de resina composta) onde são associados dois materiais distintos. Essa técnica apresenta o contratempo de ter que aguardar o tempo de presa do CIV antes de dar seguimento à construção das camadas em resina. Se por um lado o uso de ionômeros reforçados melhorou a interação química com a resina restauradora, por outro, tornou-se necessário ainda aguardar uma presa química do material, uma vez que uma foto-ativação precoce geraria tensões de contração mais elevadas ocasionando problemas semelhantes aos descritos na técnica anterior.

Com o surgimento das resinas do tipo “bulk fill” (indicadas para uso em grandes incrementos), na consistência tipo “flow” (fluidas) a contração de polimerização e a tensão gerada por esse processo foram drasticamente reduzidas, criando a possibilidade de se foto-ativar adequadamente além dos outrora 2mm (podendo ir de 4 a 5mm). A porção oclusal, entretanto, necessita ser preenchida de modo incremental por uma resina restauradora tradicional (técnica bulk and body). Com isso, se obtém ganho de tempo clínico, simplificação da técnica e maior aceitação por parte dos profissionais.

De forma inovadora, foram desenvolvidas as resinas restauradoras com capacidade de suportar esforços mastigatórios, do tipo bulk fill convencionais. Com isso um incremento de até 5 mm pode ser usado para preencher totalmente cavidades pequenas e médias de uma única vez, e em poucos incrementos no caso de cavidades maiores (técnica bulk).

Recentes trabalhos mostram que quando do uso de uma resina tipo bulk fill flow como base, há melhor adaptação e selamento marginal se comparado a resinas restauradoras tradicionais ou bulk fill convencionais. Isso gerou a terceira opção de técnica, conhecida como, bulk fill flow + bulk fill convencional, onde se emprega combinadamente o uso de resinas tipo bulk fill flow como base, para melhor adaptação interna, e bulk fill convencional como recobrimento, gerando maior resistência mecânica e fácil escultura da forma anatômica.

Diferentes fabricantes apresentam abordagens distintas para essa classe de materiais. Alguns abrem mão de propriedades estéticas, criando resinas muito translúcidas para ampliar a passagem de luz pela resina, gerando assim, restaurações acinzentadas.  Outros ainda, aumentam excessivamente o tamanho das partículas de carga como reforço mecânico o que ocasiona o comprometimento no polimento da resina. Desse modo, podem ocorrer significativas variações entre marcas.

Atenta a estes aspectos, a FGM lançou a linha de resinas Opus Bulk Fill APS nas consistências Flow e “Convencional” (condensável) com o objetivo de obter os benefícios dos materiais bulk com características de uma resina ideal, promovendo uma evolução nesta categoria.

Com a inovadora tecnologia APS associada à linha Opus de resinas bulk fill, foi possível agregar diferenciais extremamente relevantes:

 

  • REDUÇÃO DA TRANSLUCIDEZ PÓS FOTO-ATIVAÇÃO: a resina apresenta uma translucidez elevada antes da polimerização, permitindo ampla passagem de luz. Já ao fotopolimerizar, ela adquire um aspecto mais opaco reduzindo o efeito ‘acinzentado’ da restauração;
  • AUMENTO DO GRAU DE CONVERSÃO: ampliação das propriedades mecânicas do material;
  • AUMENTO DO TEMPO DE TRABALHO COM ILUMINAÇÃO DIRETA DO CAMPO OPERATÓRIO: tradicionalmente a luz do refletor do equipamento odontológico não é direcionada ao local da restauração para evitar polimerização precoce da resina, o que traz redução da visibilidade do campo operatório. Entretanto, a tecnologia APS permite estender o tempo de trabalho e manipulação das resinas OPUS, mesmo quando o campo operatório está mais iluminado, possibilitando ao profissional melhor visualização durante a inserção e escultura das restaurações;
  • MANUTENÇÃO DE PARTÍCULAS COM TAMANHO MÉDIO: permitindo adequado polimento.

 

Um aspecto presente na OPUS Bulk Fill Flow que se destaca de muitos materiais da categoria é a sua tixotropia inteligente que permite a resina não escoar excessivamente a não ser, quando estimulada para tal, evitando acúmulo do material em regiões indesejadas do preparo cavitário. Outra característica importante é o efeito de autonivelamento que permite excelente acomodação do material na cavidade, criando um preenchimento plano que resiste à ação da gravidade.

Vivemos na odontologia uma busca de redução de complexidade de procedimentos sem abrir mão de excelência. Nesta vertente observamos que tanto as resinas Bulk Fill Flow, quanto as resinas Bulk Fill Convencionais, em especial da linha OPUS, possuem os atributos necessários para atender às necessidades dos profissionais de um modo ágil, seguro e eficaz, garantindo comodidade e satisfação também para os pacientes.

 

 

LEITURA SUGERIDA:

  • Carlos Francci; Marcelo Ferreira Witzel; Edméa Lodovici; REIS, R. S. A. .Utilização de um compósito restaurador com auto-modulador de polimerização em restaurações estéticas posteriores. Revista da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas, v. 64, p. 352-354, 2010.
  • Orłowski M, Tarczydło B, Chałas R. Evaluation of marginal integrity of four bulk-fill dental composite materials: in vitro study. 2015; 2015:701262.
  • Kapoor N, Bahuguna N, Anand S. Influence of composite insertion technique on gap formation. J Conserv Dent. 2016 Jan-Feb; 19 (1): 77-81

 

LEGENDAS DAS FIGURAS:

Fig.1: Imagem esquemática da técnica incremental com resinas restauradoras convencionais demandando um grande número de etapas, que aumentam o tempo e complexidade do procedimento.

Fig.2: Imagem esquemática mostrando uma base de resina bulk flow (1) e recobrimento com uma resina restauradora convencional em incrementos ou uma resina bulk restauradora em incremento único (2).

Fig 3: Imagem esquemática mostrando um único incremento de resina bulk restauradora (1).

Fig. 4: Caso inicial de restauração de resina deficiente no  46 e amálgama deficiente no 47.

Fig. 5: Caso com isolamento e matriz. Foi preservado sulco pigmentado na mesial do 46.

Figs.6 e 7: Caso finalizado com Opus Bulk Flow + Opus Bulk Restaurador no 46 e Somente Opus Bulk no 47.

Fig. 8: Aspecto do caso finalizado e polido.

pablo.macedo

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