Substituição de restaurações de resina composta em dentes posteriores

Doutor Claudio Sato e Doutor Adriano Sapata
Claudio Sato: coordenador da disciplina de Dentística Restauradora da FOUBC / especialista em Dentística Restauradora pela FOUSP / mestre em Materiais Dentários pela FOUSP / Adriano Sapata: especialista em Dentística Restauradora pela UNG / mestre em Dentística Restauradora pela UNG

Nos últimos anos, um dos procedimentos mais frequentes em consultórios odontológicos foi a substituição de restaurações de amálgama por resina composta devido à demanda cada vez mais evidente da estética. Além disso, os aspectos pertinentes ao próprio preparo cavitário têm respaldado cada vez mais a escolha por técnicas conservadoras e preparos minimamente invasivos. Isso tem motivado os profissionais a realizarem cada vez mais restaurações em resina composta quando da impossibilidade de se praticar procedimentos preventivos. Assim, com um número cada vez maior de restaurações em resina composta, é evidente que algumas destas restaurações necessitem de reparos ou substituição.

A substituição de restaurações em resina composta pode ser motivada pela perda da sua integridade marginal, por alteração de cor evidente que prejudique a questão estética, por lesões de cárie, ausência de forma anatômica que prejudique a funcionalidade e ainda por exigência estética do próprio paciente.

Relato do caso clínico

O caso clínico a ser relatado aborda a substituição de uma restauração de resina composta na face oclusal e vestibular do dente 46, que apresentava infiltração marginal, deficiência de cor, forma e morfologia oclusal (Fig. 1). Esta restauração já apresentava uma longevidade considerável, uma vez que, segundo o paciente, teria sido realizada há mais de oito anos.

Depois da anamnese, exame clínico e radiográfico, verificou-se que a restauração se apresentava insatisfatória e que haveria a real necessidade de sua substituição, optando-se pela realização de uma restauração de forma direta. O material restaurador escolhido foi a resina composta Opallis (FGM).

Após o isolamento do campo operatório de forma absoluta, foi efetuada a remoção da restauração com uma broca diamantada esférica em alta rotação, seguida da limpeza da cavidade. Para o procedimento adesivo, foi utilizado o adesivo Ambar (FGM), logo após o condicionamento total da cavidade com ácido fosfórico 37% (Condac 37, FGM), conforme pode ser observado na Figura 2. O tempo de condicionamento ácido no esmalte foi de 30 segundos e de 15 segundos na dentina. O adesivo Ambar foi aplicado de maneira ativa com Cavibrush (FGM) por 20 segundos.

Para confecção da dentina foi utilizada a resina Opallis DA3 (FGM) seguindo a anatomia oclusal, mas deixando espaço para inserção da camada final de esmalte (Fig. 3). Esta observação é muito importante, pois quando se deixa uma camada muito espessa de cor de dentina, a restauração tende a se tornar muito opaca e, consequentemente, muito evidente. Em determinadas situações de ajuste oclusal, quando se remove uma espessura significativa de resina composta de esmalte, esta camada fica tão fina que se torna possível visualizar por translucidez a cor de dentina.

A utilização de pigmentos pode auxiliar na caracterização da restauração de tal forma que promova um aspecto de naturalidade ao elemento dental restaurado. Neste caso clínico, utilizaram-se, depois da etapa de confecção de dentina, alguns pigmentos fotopolimerizáveis nas cores amarelo e marrom na região de sulcos oclusais e branco nas vertentes das cúspides (Fig. 4). A camada de esmalte foi realizada com a resina Opallis T-Yellow (FGM), tomando-se o cuidado de reproduzir com fidelidade a anatomia da face oclusal, fundamental para devolver a funcionalidade deste dente (Figs. 5 e 6).

Depois de realizado o ajuste oclusal com brocas multilaminadas, o acabamento foi realizado com borrachas abrasivas e polimento com uma pasta Diamond R (FGM) e feltro Diamond Flex (FGM). Nota-se ao final o aspecto mais natural obtido (Fig. 7).