Retentores intra radiculares pré fabricados: O passo a passo da rotina clínica (Caso 01) – Pino em fibra técnica direta com pinos especiais – WHITE POST DC-E

Dra. Renata Paranhos Milioni, Dr. Leandro de Moura Martins, Dr. Gustavo Oliveira dos Santos e Dr. Raphael Monte Alto

É inegável que o planejamento da reabilitação de dentes anteriores tratados endodonticamente é um grande desafio. Justamente porque dentes com tratamentos endodônticos ficam mais enfraquecidos devido a alterações estruturais como desidratação, diminuição da sua resiliência e consequente friabilidade.

Sendo assim, nesses casos, é comum a indicação de retentores intra-radiculares, independentemente da quantidade de remanescente coronário. Muito embora estudos apontem que os retentores intra-radiculares pré fabricados em fibra de vidro não contribuam para o fortalecimento da estrutura dental, há estudos que defendem que a taxa de sobrevida e sucesso em elementos que receberam retentores intra-radiculares é mais alta do que os que não receberam.1,2

Retentores intra-radiculares são empregados com a finalidade de promover retenção e reforço para a porção coronária através da transmissão de forças.

Dentre os variados tipos de núcleos intra-radiculares, os núcleos metálicos foram durante anos os retentores de escolha.3 Além de apresentarem custo relativamente baixo e técnica simples, os núcleos metálicos fundidos possuem uma adaptação justaposta às paredes do canal radicular, o que lhe proporciona uma ótima retenção. Estudos demonstram que núcleos metálicos fundidos possuem alta resistência à fratura, entretanto apresentam padrões de fratura irreparáveis, já que seu módulo de elasticidade é superior ao da dentina, o que pode
levar à perda do elemento dentário.3-7

Dessa forma, o pino de fibra de vidro vem ganhando cada vez mais espaço e seu uso tornou-se comum na clinica diária.8 Pinos de fibra de vidro apresentam boa resistência, estética, translucidez e radiopacidade.9 Destacam-se, pois possuem módulo de elasticidade semelhante ao da dentina, o que permite uma melhor distribuição de tensão pela dentina radicular, diminuindo risco à fratura.4,6,10

O sistema de pinos de fibra de vidro da FGM possui uma variedade de diâmetros com suas brocas correspondentes, as quais permitem que os pinos tenham um melhor encaixe e adaptação às paredes dos condutos.4

Contudo, quando nos deparamos com condutos amplos, o uso de pinos de fibra pré-fabricados pode ser crítico.2,4,5 Nesses casos, uma camada espessa de cimento resinoso será formada. Camadas de cimento mais espessas são mais passíveis de apresentarem falhas, devido a formação de bolhas e ao aumento de tensão gerado pela contração de polimerização, responsável pelo desencadeamento de linhas de fratura, podendo levar ao deslocamento do pino devido ao comprometimento de força de união.2-5,11

A fim de evitar esse tipo de falha e garantir maior retenção nos casos de raízes amplas ou raízes com pouco remanescente, a técnica de anatomização direta do pino de fibra de vidro com resina composta, pode ser utilizada.2,10 A técnica consiste na colocação de resina composta sobre o pino de fibra, para copiar o interior do canal radicular. A resina composta ocupa os espaços existentes entre a parede do conduto e o pino, deixando o conjunto justaposto às paredes, o que aumenta retenção e diminui a espessura de cimento a ser utilizada. Sendo assim é possível obter um retentor intra-radicular com ótima adaptação, retenção e propriedades mecânicas favoráveis, conferindo longevidade ao tratamento.