Restaurando a autoestima e o sorriso com implantodontia e resina de alta estética

Dr. Patricio Runnacles e Dr. Rogério Goulart da Costa

Na terapia de reposição de um elemento dental perdido está indicada a instalação de um implante, seguido da complementação protética para reabilitar a função e a estética. Muitos pacientes necessitam desse tipo de tratamento no nosso país, e pelo estado da arte da odontologia, essa técnica frente à prótese fixa, não é apenas mais econômica para o paciente como também é mais conservadora, por preservar tecidos sadios intactos.

A ausência de um ou mais elementos dentários podem incomodar os pacientes por diversos motivos como: menor conforto ao mastigar, constrangimento social, além de contribuir para baixa da autoestima.

O relacionamento entre satisfação com o sorriso e comportamentos de interação social são bem percebidos pelos profissionais da área odontológica. Os pacientes que não estão satisfeitos com o próprio sorriso mudam sua maneira de interagir, sorrindo menos ao conversar, tirar fotos ou mesmo com atitudes para obstruir a imagem do sorriso, ao conversar com a mão na boca.

Neste artigo apresentamos um relato de caso em que a paciente procurou atendimento para a realização de um implante ósseo integrado. Com a evolução do tratamento, a paciente adquiriu confiança e o desejo em clarear seus dentes solicitando a substituição das restaurações já existentes por compósitos resinosos mais estéticos.

“Refinamentos angulares permitem a construção de infraestruturas mais simétricas, favorecendo a estratificação das massas cerâmicas e sobretudo, a distribuição adequada das forças mastigatórias aos tecidos de suporte.”

FICHA
Paciente do gênero feminino, 33 anos de idade.

A QUEIXA
Paciente buscou auxílio profissional para reabilitar área edêntula que lhe causava constrangimento social.

ANAMNESE

A paciente se encontrava em condições favoráveis ao procedimento reabilitador.

PLANEJAMENTO

A paciente se encontrava em condições favoráveis ao procedimento reabilitador. O planejamento inicial contemplava apenas a reabilitação do elemento 24 ausente. Contudo, o resultado obtido fez com que a paciente aceitasse a recomendação inicial de substituir as restaurações anteriores antigas, por um compósito mais estético e estável, associado a um clareamento das duas arcadas.

Fase cirúrgica e estética imediata
A paciente foi assistida em consultório particular na cidade de Curitiba (Paraná – Brasil) com intenção de realizar uma cirurgia de colocação de um implante dentário na região do primeiro prémolar superior esquerdo (Fig. 1). Após a realização de anamnese e exames complementares, o procedimento cirúrgico-protético foi realizado. Com a intenção de no ato cirúrgico instalar um provisório imediato, foram realizados os moldes das arcadas superior e inferior.

Posteriormente ao enceramento diagnóstico foi confeccionado uma coroa provisória e um guia cirúrgico para orientação das perfurações da loja óssea, com resina acrílica auto polimerizável. A coroa provisória recebeu um esvaziamento interno e orifício oclusal para facilitar a captura e os tempos trans-cirúrgicos.

Optou-se por uma incisão intra-sulcular deslocada para palatino (Fig. 2), sobre a crista óssea, para rodar o retalho e aumentar a espessura vestibular, diminuindo assim a depressão causada pela reabsorção óssea após a extração dentária. Assim, após o descolamento do retalho e colocação do guia cirúrgico em posição, procedeu-se as perfurações ósseas com as brocas: 2,4; 2,9 e 3,4 do Sistema Arcsys, na profundidade de 11 mm para um implante 4.3 x 9mm. Podemos notar a quantidade de osso autógeno coletado nas canaletas da broca cirúrgica que foi depositado posteriormente na parede óssea vestibular (Fig. 3).

Estando o implante em posição sob estabilidade inicial de 45N foi conectado a ele um pilar aparafusável angulável com altura de cinta 2,5mm, que foi angulado em aproximadamente 3,5°, utilizando o Angulador. Escolhendo assim a posição ideal da saída do parafuso na mesa oclusal da futura prótese.

Após a ativação da conexão pilar/implante pela transferência de energia promovida pela ação do martelete, um cilindro cobalto-cromo foi aparafusado em boca, sendo capturado pela coroa provisória
previamente colocada. Para esta etapa, os espaços existentes entre a coroa e o cilindro foram preenchidos com a resina composta Opus Bulk Fill Flow, que possui adequado grau de escoamento e baixíssima contração de polimerização. Após o desparafusamento do cilindro, pequenos acréscimos e desgastes foram efetuados fora da boca, além da complementação da polimerização e do acabamento com uma sequência de discos e borrachas próprias.

O conjunto coroa provisória e cilindro foram descontaminados em solução de clorexidina 2% e reaparafusado ao pilar com torque de 10N. O parafuso protético teve sua cabeça protegida por uma esfera
de teflon seguida de uma porção de resina Opus Bulk Fill Flow, para só então iniciar a síntese dos tecidos.

Uma semana depois foi feito o pós-operatório da paciente. Com a ocorrência de uma cicatrização normal a sutura foi a removida.

Fase Restauradora
Com o aumento da autoestima possibilitado pelo resultado obtido, a paciente deu continuidade ao tratamento odontológico proposto, clareando as arcadas e realizando facetas diretas nos elementos ântero-superiores, uma vez que os mesmos já apresentavam restaurações extensas, desgastadas e desarmoniosas.

Foi realizado clareamento com a técnica mista em duas sessões de clareamento de consultório com Whiteness HP Maxx 35% (FGM) e clareamento caseiro supervisionado com Whiteness Perfect 10% (FGM) até atingir o tom da cor decidido entre a paciente e o profissional. Após a maturação dos tecidos peri-implantares foi iniciado o processo de moldagem para a confecção da coroa definitiva e facetas diretas em resina composta de canino a canino na região superior.

Fase Protética
Após cicatrização e maturação dos tecidos ao redor do implante, foi iniciado o processo de confecção da coroa definitiva em dissilicato de lítio cimentada no cilindro de cobalto-cromo. A
coroa recebeu externamente um jateado com óxido de alumínio e uma camada de adesivo Ambar Universal (FGM) seguido de sua fotopolimerização. Internamente, a coroa recebeu ácido fluorídrico
5% Condac Porcelana e foi cimentada com o cimento resinoso dual Allcem (FGM). Foi realizada a individualização do transfer de moldagem para manter o perfil de emergência estabelecido pela
coroa provisória. Para tanto, a coroa foi removida da cavidade bucal e adaptada ao análogo do implante (Fig. 6) e o conjunto foi inserido em uma massa densa de silicone de adição Elite Double (Zhermack, Badia Polesine, RO, Italia) (Fig.7). Após a polimerização do material, a coroa provisória foi substituída por um transfer inserido de forma multifuncional e aparafusado. O espaço deixado pela coroa foi preenchido com resina acrílica auto polimerizável (Fig. 8). Uma vez polimerizada a resina, o conjunto foi acabado com fresas em baixa rotação, recebendo também algumas retenções extras para garantir a estabilidade do componente no molde, para só então ser levado à boca (Fig10) e transferido (Fig11). Feita a prova da coroa, ocorreu o aparafusamento de 10N. Em seguida, a cabeça do parafuso recebeu uma esfera de Teflon para assim ser concluída a restauração com a resina fotopolimerizavel Opallis (FGM).

Fase restauradora

A paciente apresentava várias restaurações classes III e IV nos elementos dentários 13, 12, 11, 21, 22 e 23 (Fig. 12). Após a profilaxia com pedra pomes e água, as restaurações antigas foram
removidas (Fig. 13), os dentes receberam ataque ácido (Fig. 14) com Condac 37 (FGM), duas camadas de adesivo Ambar Universal (FGM) foram aplicadas e fotopolimerizadas (Fig. 15). A partir do
encerramento diagnóstico, foi realizado um guia palatino. No intuito de executar as facetas diretas, o mesmo foi colocado em boca para fazer a camada palatina das restaurações utilizando a resina
Vittra APS (FGM), o que permitiu a estratificação das restaurações.

Concluídas as facetas as restaurações passaram por um processo de acabamento em uma sequência de discos Diamond Master (FGM) (Fig. 16) e brocas KG Sorense. O polimento foi realizado com as pastas Dimond AC I e AC II (FGM), discos Diamond Flex (FGM) (Fig. 17) e brilho final com discos de feltro Diamond (FGM).

Conclusão:

A reposição de dentes perdidos através da terapia de implantes ósseo integrados já está consolidada e confere muita satisfação de resultado tanto para o paciente como para o profissional. As restaurações em resina composta igualmente nos premiam com prognóstico favorável quando bem indicada, recuperando assim a beleza natural do sorriso (Fig. 19). Pacientes reabilitados se sentem mais confortáveis e seguros para interagir socialmente. Deste modo, a odontologia contribui de modo amplo e significativo na reabilitação dos mesmos, contemplando benefícios nas esferas física, mental e social dos mesmos.