Reabilitação unitária imediata em área estética

Prof. Dr. Renato Savi de Carvalho
Prof. Dr. Renato Savi de Carvalho
Especialista, Mestre e Doutor em Implantologia - Universidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia de Bauru - FOB/USP e Professor dos cursos de Especialização, Mestrado e Doutorado - São Leopoldo Mandic - Campinas

TÍTULO: REABILITAÇÃO UNITÁRIA IMEDIATA EM ÁREA ESTÉTICA

Introdução

Reabilitações anteriores se configuram como desafios na prática clínica diária. Além da questão funcional e fonética, a necessidade de harmonização estética das coroas incorpora dificuldades ao tratamento.
Outro aspecto de alta relevância é a resposta do tecido periodontal/perimplantar à reabilitação. Inexoravelmente, deparamo-nos com a necessidade de manter – ou por vezes recuperar – a saúde do tecido gengival circunjacente. Isso garantirá estética e longevidade ao tratamento.
Quando da necessidade de exodontia, o adequado planejamento associado ao criterioso manuseio dos tecidos duros e moles, somado à escolha correta do sistema de implantes, se traduzirá em sucesso e satisfação.

Ficha Clínica

Queixa principal: Fratura radicular do dente 22 com histórico de desalojamento de coroa cerâmica, inflamação gengival e insatisfação com a estética dos elementos 21 e 23.
Paciente: Leucoderma, gênero masculino, 63 anos.
Anamnese: Boa condição geral de saúde.
Exame clínico: Evidência de boa saúde bucal. Dente 22, com diagnóstico de fratura radicular. Contudo, é pilar de coroa metalo-cerâmica, suportada por núcleo metálico fundido.
Exames de imagem: Apesar de fratura radicular, a radiografia periapical não evidenciava sinais de lesão óssea.
Planejamento: Exodontia minimamente invasiva com concomitante instalação de implante Arcsys FGM – Brasil e coroa temporária imediata. Reabilitação definitiva após confirmação da osseointegração e preparo para coroa total cerâmica nos dentes adjascentes 21 e 23.

Relato de caso:

Paciente com 63 anos de idade, leucoderma, gênero masculino, apresentou-se à Clínica Renato Savi – Bauru SP, com insatisfação estética devido aos dentes 21 e 23; além de queixa de soltura recorrente da coroa metalo cerâmica do dente 22. Segundo informações do próprio paciente, desalojamento em razão de fratura radicular, diagnosticada previamente por profissional da área de endodontia.
Exame clínico evidenciou importante inflamação gengival ao redor da coroa em questão, além de ligeira mobilidade. Não havia trajeto fistuloso ou qualquer tipo de drenagem purulenta via sulco periodontal.

Fase cirúrgica:

Abordagem baseou-se em exodontia com mínimo trauma (especial cuidado aos tecidos gengivais fragilizados pelo processo inflamatório em curso), inspeção, limpeza mecânica e irrigação alveolar com solução fisiológica seguida da instalação de implante Arcsys FGM e adaptação imediata de coroa protética em resina acrílica.

Fase protética:

Durante a fase de osseointegração procedeu-se preparo dos dentes 21 e 23 para confecção de coroa total cerâmica. Sessenta dias após cirurgia, implante e preparos foram moldados para confecção de três coroas cerâmicas reforçadas por dissilicato de lítio.
Sobre o implante optou-se pela seleção do munhão angulável ARCSYS para coroas cimentadas. Essa seleção, bem como preparo do munhão, foi toda realizada sobre o modelo de trabalho. Não foi necessária nenhum tipo de angulação do referido munhão.
As coroas protéticas sobre dentes naturais (21 e 23) e sobre implante (22) foram cimentadas através de cimento resinoso dual AllCem Core FGM – Brasil.

Conclusão

A remoção do fator causal da inflamação gengival (exodontia), associada a um planejamento criterioso sob o ponto de vista reabilitador; adequada seleção do sistema de implantes – especialmente do perfil do pilar protético e instalação do implante em posição ideal proporcionaram adequada resolução estética-funcional ao caso.

Referências
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