Reabilitação total maxilo-mandibular em paciente portador de doença periodontal generalizada

Prof. Dr. Renato Savi de Carvalho
Prof. Dr. Renato Savi de Carvalho
Especialista, mestre e doutor em implantologia (USP - SP - Brasil), Graduação em odontologia (FOB/USP - SP - Brasil) e Professor dos cursos de especialização, mestrado e doutorado da Faculdade São Leopoldo Mandic (SP - Brasil)

TÍTULO: REABILITAÇÃO TOTAL MAXILO-MANDIBULAR EM PACIENTE PORTADOR DE DOENÇA PERIODONTAL GENERALIZADA

FICHA
Paciente do gênero masculino, 53 anos de idade.
A Queixa
Mobilidade dentária generalizada em ambos os arcos.
Anamnese
Bom estado geral de saúde e ausência de outras doenças em curso.
Planejamento
Exodontia dos elementos remanescentes e reabilitação bimaxilar. A escolha do sistema se deve à possibilidade de customizar a angulação dos componentes selecionados, que permite um melhor posicionamento dos implantes concomitante a um melhor posicionamento dos componentes, sem introduzir prejuízos estruturais, mecânicos, estéticos ou funcionais ao resultado final.

INTRODUÇÃO

Apesar dos avanços técnico-filosóficos objetivando maior prevenção à perda dentária, o número de pacientes portadores de algum tipo de edentulismo permanece alto. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que 16 milhões de brasileiros são totalmente desdentados – números que representam 11% de toda população nacional. Ainda segundo o Instituto, 41,5% dos brasileiros com mais de 60 anos já perderam todos os dentes(1).

Considerando o aumento na expectativa de vida no país – que saltou de 54 anos em 1960, para 72 anos em 2012 – o número de desdentados poderá ser ainda maior, uma vez que a doença periodontal, mal que responde por grande parte do edentulismo, acomete mais comumente pacientes em idade avançada(2-4). Vale ressaltar que mesmo pacientes portadores de todos os dentes podem ser considerados inaptos à função mastigatória (pré-desdentados) quando apresentam mobilidade dentária avançada. Tais casos, via de regra, requerem intervenção por parte do cirurgião-dentista/implantologista “antecipando” a perda dos dentes através de manobras de exodontias, a fim de preservar tecido ósseo em volume que viabilize a instalação de implantes(5,6).

O TRATAMENTO

Paciente com 53 anos, gênero masculino, negro, não tabagista, apresentou-se à clínica com queixa de mobilidade dentária generalizada em ambos os arcos. Anamnese e exames laboratoriais evidenciaram bom estado geral de saúde e ausência de outras doenças em curso.

Ao exame clínico e de imagem se observou doença periodontal generalizada em estágio avançado, com comprometimento de todos os dentes de ambas as arcadas – exceção feita ao elementos 44 e 45 que não apresentavam mobilidade. A análise radiográfica permitiu ainda constatar exuberante perda óssea na base dos seios maxilares, região ocupada pelos molares. Este padrão de perda óssea é comum em pacientes periodontopatas e, rotineiramente, impossibilita a instalação de implantes em áreas posteriores da maxila, obrigando o CD a incliná-los para anterior (pré-seio maxilar) caso não se deseje realizar manobras de “sinus lift”. Ao se inclinar implantes para a região anterior se gera, inevitavelmente, uma dificuldade na obtenção do plano de inserção para a futura prótese, exigindo a utilização de pilares angulados para a obtenção adequada da função e da estética.

ANGULAÇÃO DOS PILARES

Embora muitas vezes necessários, pilares angulados aparafusáveis apresentam problemas clínicos(7). Dentre os principais podemos citar: dificuldade de instalação e parafusamento; além da perda precoce do torque inicial aplicado ao parafuso retentor resultando em desempenho biomecânico duvidoso justamente numa região de alta demanda funcional. Pilares angulados convencionais apresentam ainda angulação padrão fornecida pelo(s) seu(s) fabricante(s) não oferecendo ao clínico a possibilidade de se personalizar a angulação destes para cada caso em particular – outro aspecto desfavorável.

Nesta abordagem clínica, utilizamo-nos do Sistema Arcsys – FGM cujo grande diferencial reside na possibilidade de personalização da angulação do pilar que, por ser impactado (friccional) dispensa a necessidade de parafusos, evitando problemas de perda de torque e denotando importante aspecto garantidor de melhor comportamento mecânico.

A CIRURGIA

Em sessão única procedeu-se exodontia dos dentes superiores e instalação de quatro implantes – sendo dois inclinados na região de segundos prés-molares e dois retos na região de incisivos laterais. Instalação dos pilares personalizados e prótese imediata cinco horas após a instalação destes.
Vinte e quatro horas após reabilitação da arcada superior procedeu-se atuação na arcada antagonista com extração dos elementos dentários, instalação de implantes e pilares personalizados seguido de moldagem e assentamento de uma prótese provisória imediata.

REABILITAÇÃO FINAL

As próteses imediatas permaneceram sessenta dias em função quando, após confirmação da osseointegração dos implantes, próteses permanentes foram instaladas sobre os pilares impactados aos implantes.

REFERÊNCIAS
1. www.ibge.gov.br | 2. Ferraiolo DM. Predicting periodontitis progression? Evid Based Dent. 2016 Mar;17(1):19-20. | 3. Harikishan G, Triveni VS, Sai Sujay GS. Evaluation of clinical parameters to select high prevalence populations for periodontal disease: A cross-sectional study. J Pharm Bioallied Sci. 2015 Aug;7(Suppl 2):S623-7. | 4. Locker D, SladeGD, Murray H. Epidemiology of periodontal disease among older adults: a review. Periodontol 2000. 1998 Feb;16:16-33. | 5. Irinakis T. Rationale for socket preservation after extraction of a single-rooted tooth when planning for future implant placement. J Can Dent Assoc. 2006 Dec;72(10):917-22. | 6. Agarwal G, Thomas R, Mehta D. Postextraction maintenance of the alveolar ridge: rationale and review. Compend Contin Educ Dent. 2012 May;33(5):320-4. | 7. Sannino G, Barlattani A. Straight Versus Angulated Abutments on Tilted Implants in Immediate Fixed Rehabilitation of the Edentulous Mandible: A 3-Year Retrospective Comparative Study. Int J Prosthodont. 2016 May-Jun;29(3):219-26.