Reabilitação oral total por meio de prótese total superior e prótese do tipo protocolo inferior

Prof. Bernardo Born Passoni, Prof. Rodrigo Melim Ferreira, Prof. Dr. Ricardo de Souza Magini e Prof. Dr. Cesar Augusto Magalhães Benfatti.
PROF. BERNARDO BORN PASSONI: Doutorando em implantodontia (CEPID/UFSC - SC - Brasil), Mestre em implantodontia e especialista periodontia (CEPID/UFSC - SC - Brasil), Professor do curso Especialização em Implantodontia na UNIQUE Ensino Odontológico (SC - Brasil) e International Scholar Student (Katholieke Universiteit Leuven - Bélgica). | PROF. RODRIGO MELIM FERREIRA: Especialista em prótese dentária (UFSC - SC - Brasil), Pós-Graduado em Implantes Dentários pela CETRODONTO – Florianópolis e Graduação em odontologia (UFSC - SC - Brasil). | RICARDO DE SOUZA MAGINI: Especialista, mestre e doutor em periodontia (FOB/USP - SP - Brasil), Professor titular da UFSC (SC - Brasil) e Professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Odontologia, área de concentração em Implantodontia, da UFSC (SC - Brasil). | PROF. DR. CESAR AUGUSTO MAGALHÃES BENFATTI: Mestre e doutor em Implantodontia (UFSC - SC - Brasil), Coordenador do Centro de Ensino e Pesquisa em Implantes Dentários - CEDIP da UFSC (SC - Brasil), Professor adjunto da UFSC (SC - Brasil) e Professor permanente do Programa de Pós-graduação em Odontologia, área de concentração Implantodontia da instituição (UF - Brasil).

TÍTULO: REABILITAÇÃO ORAL TOTAL POR MEIO DE PRÓTESE TOTAL SUPERIOR E PRÓTESE DO TIPO PROTOCOLO INFERIOR

FICHA
Paciente do gênero masculino, 52 anos de idade.
A Queixa
Dificuldade mastigatória e necessidade de reabilitação dos dentes ausentes.
Anamnese
Paciente com condições de saúde favorável à reabilitação oral com implantes.
Planejamento
Realização de prótese total superior imediata e prótese inferior do tipo protocolo, com carga imediata, através da instalação de 4 implantes Arcsys – FGM, entre forames.

INTRODUÇÃO

A introdução dos implantes osseointegrados na odontologia proporcionou uma revolução nas técnicas de reabilitação de pacientes parcial ou totalmente edêntulos. No entanto, os implantes podem ser a melhor ou a pior escolha para o paciente, dependendo dos cuidados no planejamento, que devem seguir a clássica rotina: história médica e odontológica, exame clínico, modelos de estudo, enceramento diagnóstico, diagnóstico por imagem e avaliação da relação ósseo-alveolar remanescente e reabilitação protética. O planejamento cirúrgico é essencial para a realização de reabilitações com estética e função adequadas(1). O tratamento reabilitador por meio de implantes osseointegráveis visa preservar a integridade das estruturas nobres intrabucais, recuperando a estética e a funcionalidade do sistema estomatognático, possibilitando uma melhor qualidade de vida aos pacientes(2).

Antes do surgimento da reabilitação oral através de implantes, a única opção para reabilitar um paciente edêntulo total eram as próteses totais convencionais, ou seja, muco-suportadas, as quais possuem uma limitação representada pela perda óssea decorrente do contínuo processo de reabsorção, comprometendo a retenção e a estabilidade desses dispositivos. Nesse sentido, a substituição dos dentes perdidos por meio de próteses totais consiste num problema tanto para o cirurgião-dentista quanto para o paciente, principalmente em se tratando de próteses totais inferiores. Entre as vantagens, as próteses implanto-suportadas apresentam maior retenção, suporte e estabilidade, benefícios psicológicos, melhoria da fonética e da função mastigatória, trazendo um aumento da qualidade de vida deste paciente(3,4).

A reabilitação de arco total através de implantes, proposta inicialmente por Branemark(5) se caracterizada pela instalação de 5 implantes na região anterior da mandíbula entre os forames mentuais. No entanto, cada vez mais se utiliza a técnica do all-on-four, buscando uma inclinação dos implantes distais, para que a eminência da saída do parafuso protético seja o mais distal possível, diminuindo assim o cantilever e consequentemente o braço de alavanca.

O objetivo deste trabalho é apresentar um caso clínico de reabilitação oral através de prótese total superior e prótese inferior do tipo protocolo, com o novo Sistema Arcsys de implantes e componentes protéticos.

RELATO DO CASO

Paciente do sexo masculino, 52 anos de idade, leucoderma, boa condição sistêmica, apresentou-se no consultório odontológico privado com queixa principal de dificuldade mastigatória e necessidade de reabilitação dos dentes ausentes. Durante o exame clínico observou-se que o paciente possuía apenas os elementos 13, 23 e 25, não utilizando qualquer tipo de prótese por dificuldade de adaptação (Figs. Inicial, 01 e 02). Após a realização da tomografia computadorizada cone bean, constatou-se que existia altura e espessura óssea suficiente para instalação de implantes. O planejamento reabilitador consistiu em realização de prótese total superior imediata e prótese inferior do tipo protocolo, com carga imediata, através da instalação de 4 Implantes Arcsys – FGM, entre forames.

Foi realizado o planejamento reverso (moldagem, rodete de cera, reconstituição da dimensão vertical de oclusão, reconstituição fisionômica e prova de dentes) para gerar um guia cirúrgico que foi utilizado para o correto posicionamento tridimensional dos implantes. O primeiro passo cirúrgico consistiu na exodontia dos 3 elementos dentais restantes no arco superior e sutura. Logo após, foi realizada a anestesia do arco inferior e procedeu-se com a incisão com lâmina de bisturi 15C sobre a crista do rebordo (Fig. 03). O descolamento do retalho foi realizado até expor os forames mentuais, de modo que durante a fresagem das brocas tivéssemos visualização direta da localização e consequentemente uma maior segurança (Fig. 04).
Após o descolamento do retalho, foi realizada a regularização do rebordo com broca cirúrgica maxicut em peça reta (Figs. 05A e 05B). Este desgaste ósseo tem o intuito de facilitar a instalação dos implantes em uma mesma altura (platô), permitindo que a futura barra metálica e prótese protocolo tenham o mesmo formato em toda a sua extensão e fiquem justapostas à mucosa, diminuindo o acúmulo de alimentos e facilitando a higiene da peça protética.

Por se tratar de um osso muito cortical, optou-se por iniciar a fresagem do leito receptor dos implantes com a broca lança (Fig. 06) e em seguida se utilizou apenas a broca 2.9 até o comprimento final dos implantes. Os implantes instalados na região dos dentes 32 e 42 foram de 3.8x11mm, já os implantes na região dos elementos 35 e 45 foram de 3.8x13mm, de modo que as fresagens com a broca 2.9 (utilizando os limitadores de pronfundidade Arcsys) foram até 13 e 15mm respectivamente. Isto porque o sistema Cone Morse Friccional Arcsys preconiza a instalação dos implantes 2mm infra-ósseo. A opção por utilizar apenas uma broca antes da instalação do implante é possível pelo design inovador e grande potencial de corte da Broca FGM. Além disso, as canaletas laterais possuem grande capacidade coletora de osso (Fig. 07).

O formato de roscas trapezoidais do Implante Arcsys possibilita uma grande estabilidade primária, que neste caso foi de 60 N para todos os implantes instalados (Figs. 08 e 09).
Após a instalação dos implantes, com o medidor transmucoso (Fig. 10) foram selecionadas as alturas dos pilares protéticos. Neste caso, foram utilizados 2 pilares não anguláveis de cinta de 2mm, 1 pilar angulável com cinta de 2,5mm e 1 pilar angulável com cinta de 3,5mm (Figs. 11 e 12). No entanto, não houve necessidade de angulação de nenhum destes componentes. A ativação destes componentes friccionais foi realizada de acordo com o recomendado pela empresa através de 3 batidas com o martelete de ativação Arcsys. É importante salientar, que o interior do implante esteja seco para que haja esta fricção entre o componente protético e a parede interna do implante. Este procedimento de secagem é fundamental para uma correta ativação, pode ser realizado com bolinhas de algodão, microbrush ou jato de ar.

Em seguida, foram instalados os transferentes multifuncionais, os quais foram unidos com resina acrílica (Figs. 13 e 14).
A moldagem de transferência foi realizada através do guia multifuncional, onde os transferentes multifuncionais também foram unidos, de forma que garantisse a estabilidade de todo o conjunto de transferência (Fig. 15). Além disto, foram realizados 3 pontos (2 posteriores e 1 anterior) em resina acrílica para registro da oclusão (Figs. 16 a 19).
Antes do envio para o laboratório, os análogos foram colocados em posição, aparafusados nos transferentes e unidos com resina acrílica (Figs. 20 e 21). Após estabilizados, o modelo foi realizado (Fig. 22). Este cuidado é bastante importante para que não haja nenhuma diferença entre o que há na boca e no modelo de trabalho, que possa resultar em uma adaptação não passiva da barra metálica.

No dia seguinte, foi realizada a prova da barra metálica pela manhã e da barra metálica com a montagem dos dentes em cera pela tarde. E então, 48 horas depois, foram instaladas as próteses definitivas (Figs. 23 e 24). Dois fatores extremamente importantes para a longevidade desta reabilitação protética são a correta distribuição dos implantes e o formato/polimento das peças protéticas. Na figura 25, é possível observar que a boa distribuição espacial dos implantes possibilitou a confecção de uma prótese com cantilever de apenas um dente, protegendo os implantes de grandes forças de alavanca. Já na figura 26, observamos o formato da base da prótese sem áreas côncavas, o que permite maior higiene da peça. É importante salientar que resultados como estes são conseguidos durante o procedimento cirúrgico, e não somente durante a fase protética, por isso uma boa comunicação entre o cirurgião, o protesista e o técnico de prótese dentária é de suma importância nos casos de reabilitações extensas.

CONCLUSÃO

Os Implantes Arcsys – FGM e seus componentes friccionais se mostraram extremamente simples e seguros de se trabalhar em próteses totais fixas (protocolo), assim como já era conhecido para próteses unitárias e parciais.

AGRADECIMENTOS

Este caso clínico foi realizado sem custo ao paciente carente, através da parceria entre FGM, Dr. Bernardo Passoni, Dr. Rodrigo Ferreira e TPD Rodrigo Zani.
Agradecimento especial ao Laboratório de Prótese Rodrigo Zani, de Florianópolis, que confeccionou as próteses sem custo ao paciente, para documentação deste caso clínico.

REFERÊNCIAS

1.Fischer K, Stenberg T, Hedin M, Sennerby L. Five-year results from a randomized, controlled trial on early and delayed loading of implants supporting full-arch prosthesis in the edentulous maxilla. Clin Oral Implants Res. 2008; 19 (5): 433-41. | 2.VIANA NETO, Antônio et al. Cirurgia guiada virtual para reabilitação oral:. Cirurgia, Traumatologia Buco-maxilo-facial, Camaragibe, p.45-52, 30 maio 2009. | 3.NOVAES LCGF, SEIXAS ZA. Prótese total sobre implante: técnicas contemporâneas e satisfação do paciente. Int J Dent. V.7 n.1: p.50-62, 2008. | 4.BATISTA AUD, RUSSI S, ARIOLI FILHO, JN, OLIVA EA. Overdentures sobre implantes: Revisão de Literatura. Rev Bras Implantodont Prótese Implant. V.12 n.45: p. 67-73, 2005. | 5.Brånemark PI, Hansson BO, Adell R, Breine U, Lindström J, Hallén O et al. Osseointegrated implants in the treatment of the edentulous jaw. Experience from a 10-year period. Scand J Plast Reconstr Surg Suppl 1977; 16: 1–132 .