Elevação de seio maxilar traumática utilizando o biomaterial sintético Nanosynt.

Leonardo Bez¹. Luíza Zapellini². Roberta Michels³

INTRODUÇÃO

A perda de elementos dentais resulta clinicamente na diminuição do volume do rebordo alveolar sendo uma consequência da remodelação óssea após a cicatrização do alvéolo dentário 1.

A regeneração óssea pode ser realizada utilizando osso autógeno (sínfise mentoniana, calota craniana, ramo da mandíbula, crista ilíaca), ou utilizando substitutos ósseos (matérias xenógenos, aloplásticos) 2. Porem a morbidade pós-operatória que a utilização do osso autógeno pode causar por haverem dois sítios cirúrgicos, faz com abra mão dessa técnica quando necessário a utilização de um grande volume ósseo 3,4.

Um material sintético bifásico para substituição óssea, adequado para a enxertia óssea em região de seio maxilar é o Nanosynt. O substituto ósseo é a base de fosfato de cálcio composto por 60% de hidroxiapatita e 40% de β-fosfato tricálcio, com alta porosidade que favorece a vascularização e a migração de osteoblastos, assim facilitando a neoformação óssea 5.

A associação de substitutos ósseos sintéticos com a fibrina leucoplaquetária autóloga (PRF) e fibrina leucloplaquetária autóloga injetável (I-PRF), podem trazer inúmeros resultados positivos devido às características do enxerto autógeno. Pois se trata de um material autógeno onde ele libera fatores de crescimento durante um longo período, ele oferece respostas realmente expressivas por haver um aumento da liberação de citocinas no momento mais importante durante a cicatrização de feridas 6.

Antes da realização de cirurgia de implantes na região posterior da maxila é necessário analisar tomograficamente o volume ósseo residual abaixo do seio maxilar. Depois de serem identificadas as deficiências ósseas verticais e horizontais do rebordo alveolar, o cirurgião dentista poderá decidir qual abordagem cirúrgica utilizar na ausência de altura óssea remanescente.

A elevação do assoalho do seio maxilar tem como objetivo obter espessura e altura óssea suficiente para inserção de implantes.

RELATO DO CASO

Paciente de sexo feminino, 61 anos de idade, leucoderma, apresentou-se no curso de pós-graduação em implantodontia UNESC (Universidade do Extremo Sul Catarinense), sendo a sua queixa principal a ausência dentária. Durante o exame clínico intra-oral identificou-se que a paciente utilizava uma prótese total superior (figuras 1 e 2) imagens iniciais.

Após a realização de exames complementares e tomográficos, constatou-se a necessidade da realização de enxerto ósseo na região de seio maxilar, para a obtenção de altura óssea para posterior reabilitação oral com implantes (figura 3).

A realização da cirurgia ocorreu do seguinte modo: iniciou-se a cirurgia com anestesia dos nervos alveolar superior posterior, infraorbitário, palatino maior e anestesias isquêmicas. Com uma lâmina 15c, foi realizada uma incisão na crista do rebordo e duas incisões verticais para acessar a parede vestibular do seio maxilar. Com uma broca esférica de peça reta obtiveram-se as osteotomias da cortical óssea na vestibular, que devido à presença do septo foram realizadas duas, e com curetas, a elevação da membrana de Scheneider, que em algumas ocasiões tornar-se difícil, pois a chance de ruptura da membrana em virtude da posição em que o septo se encontra, assim formando um novo assoalho do seio maxilar (figura 4).

Obteve-se o I-PRF e o PRF por venupunção de 08 tubos de 10mL da veia intercubital do braço esquerdo  do paciente. Logo em seguida os tubos foram colocados em uma centrifuga durante três minutos o I-PRF, e por doze minutos o PRF, com rotação de 2700rpm, separando o coágulo de fibrina das células vermelhas do sangue. Os coágulos de fibrina foram comprimidos em uma caixa específica e obtiveram-se as membranas de fibrina leucoplaquetária autóloga (figura 5).

As membranas foram recortadas e misturadas ao biomaterial Nanosynt formando uma espécie de bloco ósseo (figuras 6, 7 e 8) para posterior preenchimento do seio maxilar (figura 9).

Após a inserção do material de enxerto, foram posicionadas membranas reabsorvíveis de e acima delas membranas de PRF ambas para recobrimento da osteotomia e então sutura do local (figuras 10, 11 e 12).

CONCLUSÃO

Concluiu-se que a Técnica Traumática de Elevação do Seio Maxilar é uma técnica previsível e quando bem executada possui altas taxas de sucesso. A associação entre PRF e o Nanosynt demonstrou ser efetiva para enxertia em seios maxilares.

REFERENCIAS

  1. J C Joly, P F M Carvalho, R C Silva. Reconstrução Tecidual Estética: procedimentos plásticos e regenerativos periodontais e peri-implantares. São Paulo: Quintessence PublishingCo 2015; 415.
  2. J C Joly, P F M Carvalho, R C Silva. Reconstrução Tecidual Estética: procedimentos plásticos e regenerativos periodontais e peri-implantares. São Paulo: Quintessence PublishingCo 2015; 311.
  3. H Katsuyama, S S Jensen. TreatmentGuide:Procedimentos de Elelevação do Assoalho do Seio Maxilar. Tradução de Ludmil de Campos Fruchicom. Berlim: QuintessencePublishingCo 2011; 21-52.
  4. A Tadinada, E Jalali, W Al-Salman, S Jambhekar, B Katechia, K Almas. Prevalence of bony septa, antral pathology, and dimensions of the maxillary sinus from a sinus augmentation perspective: A retrospective cone-beam computed tomography study. Imaging Science in Dentistry. 2015; 46(2):109-15
  5. ©FGM produtos odontológicos. Seção disponível em: http://www.fgm.ind.br/site/produtos/implantes-biomateriais/substituicao-ossea-nanosynt/. 2016.
  6. Intra-Lock® System. Membrana Autóloga de Fibrina e Plaquetas para Aceleração da Reparação Tecidual. Seção disponível em: http://www.intra-lock.com.br/prf_porque.php. 2009.