Carga Imediata pós exodontia em região estética, associado a faceta de resina composta para transformação de dente conoide e fechamento de diastema.

Dr. Silas Junior

INTRODUÇÃO:
A instalação de implantes em regiões anteriores é sempre desafiadora, pois a exigência estética por parte do paciente é muito maior quando comparada a regiões posteriores, em áreas anteriores afetadas por doença periodontal com perda óssea o manejo do tecido Ósseo e Peri implantar passa a ser primordial e indispensável para finalização da coroa protética. Portanto o correto diagnostico e planejamento do manejo desses tecidos se torna vital para o sucesso ou fracasso clinico, assim como todas as demais necessidades clinicas que visam melhorar a qualidade estética como; munhões anatômicos personalizados, correto condicionamento gengival por meio de provisórios, moldagem de alta precisão.
Outro aspecto importante de implantes unitários em regiões estéticas está vinculado a plataforma do implante, onde implantes com conexão morse diminui a desadaptação e micro movimentação, produzindo tecidos perio implantares mais saudáveis, podendo diminuir a perda óssea marginal desde que seja respeitado a instalação infra ósseo de 2 a 3 mm. Podemos destacar ainda que implantes com conexão morse friccional, tem melhor vedação marginal e, portanto, reflete no tecido periodontal.
Quando temos a indicação de exodontia de um elemento dental principalmente em região estética e necessidade de instalação do implante no mesmo momento cirúrgico se torna quase que obrigatório e se possível com carregamento imediato. Nestes casos as extrações atraumáticas com preenchimento de gap e enxerto conjuntivo se torna extremamente importante. Neste trabalho temos como objetivo apresentar um caso clinico de implante unitário em região anterior com perda óssea acentuada, apresentando o manejo dos tecidos para otimizar o resultado clinico do tratamento, associado a fechamento de diastema e transformação de dente conoide melhorando o resultado final. Obs: Utilizo o sistema Arcsys-FGM a 3 meses, portanto não terei tempo suficiente para envio do caso finalizado, as resinas compostas serão substituída por restaurações cerâmicas assim como o provisório sobre implante.

RELATO DO CASO CLÍNICO:
Paciente de 55 anos, masculino, melanoderma com quadro sistêmico normal me procurou na clínica odontológica com queixa estética reclamando de dente grande e mole, ao realizar anamnésia o mesmo relatou ter realizado tratamento de doença periodontal a 10 anos para diminuição de bolsa, ao realizar o exame clinico constatei bolsa de 3 a 4mm no dente 12 e mobilidade, solicitei exame radiográfico onde se constatou-se perda óssea acentuada na região do dente 12 (foto 01). Continuando o exame clinico foi diagnosticado dente 22 conoide (foto 06), dente 12 encontrava-se vestibularizado (foto 04), causando fechamento do espaço interdental na região e abertura de diastema entre os dentes 11 e 21 (foto 02 e 03), gerando desconforto estético. Avaliando mais detalhadamente percebemos que o contorno gengival do dente 12 encontra-se com recessão gengival sequela da doença periodontal tratada a 10 anos (foto 03). Foi indicado neste caso implante do dente 12 pós extração com enxerto conjuntivo, fechamento de diastema e transformação do dente 22 conoide com resina composta direta.
Primeiramente foi realizado preparo para faceta direta em resina usando a ponta diamantada 1011 (KG-Sorense) para definição de termino cervial, 2134FF (KG-Sorense) para desgaste e uma ponta multilaminada em chama para polimento do preparo (Foto 07). Em seguida foi realizando condicionamento com ácido fosfórico 37% (Condac – FGM) por 30 segundos em esmalte no dente 11, 21 e 22, secagem por 30segundos com jato de ar da seringa tríplice e aplicação de adesivo Amber (FGM) e foto ativação por 60 segundos com foto polimerizado Radii-Cal (SDI), em seguida foi aplicado resina composta Vittra APS (FGM) cor DA2 recobrindo com EA2 no preparo do dente 22 e resina EA2 para fechar o diastema entre os dentes 11 e 21 com foto ativação por 60 segundos.
Em seguida foi realizada exodontia do dente 12 utilizando periotomo flexível nas regiões proximais e fórceps 69 infantil, sendo a incisão e descolamento vestibular conservador expondo apenas o defeito ósseo, em seguida foi fresada a parede palatina do alvéolo usando a broca 2.4 e 2.9 em 800 rpm com irrigação abundante, foi selecionado um implante Arcsys FGM de 3.8 x 13mm, instalado 2mm intraósseo (Foto 09), o torque de instalação final chegou a 60N com travamento bi cortical (Foto 11), o gap e defeito ósseo foi preenchido com Nanosynt grânulos 200µm a 500µm. Em seguida foi e removido um fragmento do tecido conjuntivo, na região palatina atrás do dente 12 (Foto 08), ao final foi selecionado o cicatrizador multifuncional PEEK FGM 3x6x2,5mm ao qual foi realizado canaletas de retenção. A instalação ocorreu por meio do martelete FGM com 3 batidas, e em seguida o tecido conjuntivo foi posicionado na região vestibular seguido de sutura (Foto 12 e 13).
Para confecção do provisório a coroa clínica do dente 12 foi seccionada e retida no PEEK por meio de resina acrílica, chegando assim ao aspecto final imediato após a cirurgia (Foto 14 e 15). A remoção de sutura foi realizada após 10 dias, e as fotos finais obtidas em 30 dias de acompanhamento (Foto 16, 17, 18, 19 e 20), e radiografia após 30 dias de acompanhamento (foto 21).
CONCLUSÃO:
Após 30 dias de pós-operatório verificamos a qualidade de gengiva inserida na região do implante e uma melhora acentuada da recessão gengival, sendo ainda necessário uma gengivoplastia, e a finalização dos laminados cerâmicos, assim como aguarda mais 4 meses para o termino do período de osseintegração e assim finalizar o caso de forma mais estética, com maior previsibilidade.