Abordagem estética e conservadora com uma técnica adesiva simplificada

Dra. Issis V. Luque Martínez e Dr. Antonio Setsuo Sakamoto Junior
*Dra Issis: Mestrado em Dentística Restauradora Concentração em Materiais Dentários, Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil. **Dr. Antonio: Mestrado em Dentística Restauradora Concentração em Materiais Dentários, Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil

A odontologia tem mostrado uma acelerada evolução no desenvolvimento de materiais e técnicas que vem mudando o pensamento dos profissionais e pacientes, num sentido crítico sobre a qualidade, rendimento e estética dos novos materiais, ao mesmo tempo em que se faz imprescindível na odontologia de hoje, a comprovação do seu desempenho a través do tempo.No geral, um dos objetivos das técnicas e dos materiais odontológicos restauradores é a reprodução fiel das características dos dentes naturais, como por exemplo, sua cor e forma, que permitam ao profissional devolver, mediante um processo restaurador (direto ou indireto), as condições de anatomia, contorno, função e estética, que foram perdidas por processos cariosos ou não cariosos. No entanto, caso esta restauração não consiga manter ao longo do tempo as propriedades que lhe foram atribuídas no momento da sua realização, estaremos frente a um fracasso. É por este motivo que a odontologia de vanguarda procura utilizar materiais de qualidade e estabilidade que permitam alcançar a longevidade das restaurações. Os adesivos dentinários não escapam desta evolução e desenvolvimento, permitindo que hoje em dia contássemos com opções de adesão dentária convencional ou chamado etch and rinse, e de auto-acondicionamentos ou self etch, (diferenciando-se na remoção total da smear layer ou a inclusão desta última na hibridização), segundo a indicação restauradora. Sendo que o convencional tem demonstrado um melhor desempenho que estes últimos (De Munck, 2005), oferecendo assim uma opção confiável e estável para realizar procedimentos adesivos em restaurações estéticas diretas.

Relato de Caso:

Compareceu para consulta um paciente de 20 anos de idade, sexo masculino, de ocupação estudante, com necessidade de atendimento odontológico integral. Na análise clínica se observou uma condição periodontal aceitável, com um baixo acúmulo de placa e higiene bucal aceitável. Observaram-se nos achados clínicos uma restauração de amálgama classe I no dente 26, que apresentava fraturas na caixa oclusal (Fig. 1), o que facilitava a retenção de detritos de alimentos e biofilme bacteriano. O paciente referia sensibilidade às mudanças de temperatura e pH neste dente, no exame radiográfico se observou superposição de radiopacidade do material restaurador, o que não permitiu realizar um diagnóstico exato sobre a existência de áreas radiolúcidas que indicassem perda de tecidos duros ou desmineralização. Considerando os sinais e sintomas, tomou-se a decisão de retirar o amálgama e substituí-lo por um material com propriedades mecânicas e estéticas apropriadas como é o caso do compósito.Após o procedimento de anestesia infiltrativa com lidocaína 2% foi realizado isolamento absoluto do campo operatório procedendo à retirada do material restaurador com brocas diamantadas em alta rotação sob intensa refrigeração, tomando-se cuidado de remover somente o amálgama e evitar contatos desnecessários que pudessem causar perdas de tecido dentário. Posteriormente à remoção do amálgama observaram-se áreas de dentina reacional na mesial da caixa oclusal, e dentina cariada no nível da caixa correspondente ao sulco palatino. A seguir foi eliminado o tecido cariado com broca carbide № 4, e realizou-se a limpeza da cavidade (Fig. 2) para proceder com a restauração da mesma. Procedeu-se o condicionamento da cavidade com ácido fosfórico a 37% (Condac 37, FGM) primeiro no esmalte durante 30 s (Fig. 3) e seguidamente em dentina por 15 s (Fig. 4), posteriormente foi lavada durante 1min e seca com bolinhas de algodão estéril para eliminar poças de água da cavidade, deixando uma umidade relativa adequada para a posterior aplicação do sistema adesivo (Reis et al., 2007). Evitou-se o uso de ar diretamente da seringa tríplice para que não ocorresse o ressecamento da dentina, o que provocaria o colapso das fibras colágenas, impedindo uma correta infiltração dos monômeros resinosos do adesivo para a formação da camada híbrida (CARVALHO, 1998). Seguidamente, aplicou-se o sistema adesivo (Ambar FGM), durante 10s de forma ativa a través de uma fricção vigorosa, este processo foi repetido para se obter duas camadas do sistema adesivo na cavidade (Fig. 5). Após a remoção dos excessos de adesivo, e aplicação de um jato de ar com a seringa tríplice para ajudar na evaporação do solvente (Fig. 6), foi realizada a fotoativação durante 10s (400 mW/cm2) (Fig. 7).Para o processo restaurador propriamente dito, foram selecionadas resinas micro híbridas (Opallis, FGM) (Yap et al., 2004), nas cores B1 para dentina, e A1 para esmalte, utilizando-se a técnica incremental (Wincler et al., 1996; Lim et al., 2002), na qual foram introduzidos incrementos de até 2mm, e foto ativados durante 40 s, individualmente (Figs.8, 9 e 10).Finalizado o processo restaurador, retirou-se o isolamento absoluto para realizar o ajuste oclusal, utilizando papel articular (Fig. 11), solicitando ao paciente que realizasse os movimentos de abertura e fechamento, lateralidade e protrusiva, evitando-se desta forma deixar interferências ou contatos oclusais prematuros que pudessem gerar incômodos ao paciente, o que impediria alcançar os objetivos principais do procedimento restaurador recém realizado, e devolver a correta função, e oclusão, ao paciente. Finalmente realizou-se o acabamento e polimento da restauração, que constitui um passo fundamental para melhorar a estética, e manutenção desta através do tempo, já que, a rugosidade superficial associada a um acabamento e polimento inadequados pode resultar num aumento do desgaste, menor estabilidade da cor e acumulação de biofilme bacteriano, o que comprometeria o desempenho da restauração (Reis et al., 2003). (Fig. 12).